contação de histórias

“Era uma vez…”: a importância da contação de histórias

Contação de histórias encanta crianças e estimula a leitura

Incentivar a leitura e o pensamento crítico em um país onde uma entre cada quatro pessoas é analfabeta funcional é essencial. Por isso, em muitas escolas, as crianças têm sido encorajadas a mergulhar no universo das palavras por meio de atividades lúdicas como a contação de histórias.

“As narrativas orais influenciam muito no desenvolvimento da linguagem oral, da escrita, e do incentivo à prática de leitura”, conta a pedagoga e contadora Beth Cruz. Ao ouvir histórias, a criança é levada a pensar, questionar e duvidar, estimulando assim o seu senso crítico.

Segundo Beth Cruz, a principal ferramenta do contador de histórias ainda é a criatividade

Ana Luiza Lobo, coordenadora da Educação Infantil em uma escola da Zona Norte do Recife, acredita que a contação de histórias desenvolve bastante o imaginário. “A prática de escutar, produzir e participar das histórias faz com que as crianças valorizem a importância da leitura”. Na escola, muito além de ouvir, os alunos são estimulados a criar suas próprias histórias, o que desenvolve a criatividade e as ajuda a compreender a sequência lógica dos fatos.

É no ambiente familiar que o encorajamento que a atividade traz à leitura mostra-se latente, como revela Flavioleta, contadora de histórias da escola. “Tem crianças que ainda não sabem ler, mas quando os pais vêm falar comigo sobre como é a reação deles em casa, eles me descrevem que os meninos conseguem organizar uma história muito fácil de começo, meio e fim. E eles sabem que as histórias vêm dos livros. É algo muito natural, não é algo que a gente força. No Infantil 3, alguns já sabem ler, já se interessam. Depois que eles escutam as histórias comigo, eles vão sozinhos e pegam os livros que eles quiserem. Eles têm esse momento de busca.”

A atividade de contação de histórias é realizada uma vez por semana na escola, que conta com uma sala de leitura repleta de livros e fantasias para dramatizações. “A nossa sala de leitura é um espaço mágico, criado para ser um local de prazer. A Flavioleta sempre está caracterizada de acordo com as histórias que serão trabalhadas”, conta Ana Luiza.

As temáticas são diferentes para cada faixa etária. Com os bebês de uma ano e meio a três anos, são trabalhadas histórias de animais, já que os pequenos gostam do som dos bichos. Com os maiores, de 4 a 5 anos, são introduzidos pequenos contos de fadas que buscam auxiliá-las nas questões da infância.

“A interpretação também é bastante vivenciada, pois, após cada história contada, vem as conversas de compreensão do texto lido”, completa Ana Luiza. A dramatização do texto é outra forma de trabalhar sua compreensão. Na encenação, cada criança representa um personagem, incorporando suas falas e sua personalidade. A partir daí, também surge uma ótima oportunidade de desenvolver as habilidades artísticas dos pequenos.

O lúdico funciona como ferramenta de aprendizado

A contação de histórias ainda traz várias outras contribuições ao processo educacional. “Entre elas, podemos destacar o desenvolvimento psicoafetivo da imaginação, habilidades cognitivas, criatividade, valores e conceitos. Existe também uma grande contribuição na formação da personalidade, no envolvimento social e afetivo e no contato com outras culturas”, enumera Beth.

Ana Luiza Lobo acredita que a contação  desenvolve bastante o imaginário das crianças

É por meio do lúdico que o aprendizado se torna prazeroso para os pequenos, e para captar a atenção das crianças, o contador de histórias precisa utilizar uma série de artifícios, como conta Beth. “A história deve ter enlevo e deve ser contada calmamente, porém, com ritmo e entusiasmo, criando expectativas positivas com relação aos acontecimentos”.

Dramatizações, cantigas, trava-línguas, instrumentos musicais, fantoches e aventais ilustrativos também ajudam a transportar as crianças ao universo do encanto. Mas o principal artifício do contato ainda é a criatividade. “Um apagador de lousa pode ser um carro, e daí flui a imaginação”, explica Beth.

Números revelam que o estímulo à leitura é necessário

A leitura é um hábito de apenas 56% da população brasileira. No Nordeste, a média é um pouco mais baixa: 51% da população é considerada leitora assídua. Para 67% dos brasileiros, não houve uma pessoa que incentivasse a leitura em sua trajetória, mas dos 33% que tiveram alguma influência, o grupo dos professores foi o segundo mais relevante (7%). Os dados integram a quarta edição da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada em 2015 pelo Ibope por encomenda do Instituto Pró-Livro.

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